Quem ler o título do artigo poderá pensar que
eu sou contra o povo israelense ou contra os judeus, o que, sobremaneira, não
sou e não me dou o direito de sê-lo. Considero qualquer povo ou nação dignos de
respeito, com direito à independência, à autonomia, à soberania, à liberdade de
escolha, além de viver em segurança.
Contudo, a
desproporção de força bélica utilizada pelo Estado de Israel contra os
palestinos na Faixa de Gaza transforma qualquer causa, mesmo a que diz respeito
ao direito de defesa, em uma questão por si só injustificável pelo fato que o
extermínio em massa de pessoas não é aceitável pelos regulamentos e leis
internacionais de guerra.
Israel, a ter seu
premier, Benjamin Netanyahu, como líder político, alega estar apenas a se
defender dos ataques do grupo armado Hamas. Todavia, não há ponderação ou
exposição de motivos que possam fazer com que a maioria dos países que forma o
conjunto da comunidade internacional se acumplicie com um Estado de histórico
beligerante que, em nome de se defender, comete um dos piores genocídios de
civis que a humanidade teve o horror de ver e observar.
A questão primordial
não se resume mais sobre o embate entre as forças regulares de Israel e o grupo
armado Hamas. Em hipótese alguma se deve tergiversar ou dar uma conotação dúbia
a esse tão importante e fundamental capítulo escrito com o sangue de palestinos
civis mortos às centenas até agora pelos bombardeios de aviões e pela
artilharia pesada das forças armadas israelenses.
País de dimensões
pequenas e com apenas cinco milhões de habitantes, Israel é um gigante armado
até os dentes e, no momento, por intermédio do Governo Netanyahu,
transformou-se em um anão moral. Não é a primeira vez e, pelo andar da
carruagem, nem vai ser a última vez que os líderes israelenses e judeus por
etnia cometem barbarismos premeditados, que envergonham a condição humana.
Israel é useiro e
vezeiro em bombardear e invadir cidades de países vizinhos e não deixar pedra
sobre pedra. Estratégias repetidas de tempos em tempos como forma, inclusive,
de fazer com que seus inimigos tenham de viver em uma "eterna"
reconstrução de suas cidades, pois suas infraestruturas são totalmente
destruídas, bem como setores da economia, a exemplo da indústria e do comércio,
são obrigados a começar do zero.
Por sua vez, o
pequeno e poderoso país do Oriente Médio aparentemente não se importa com as
resoluções da ONU, uma organização internacional ultrapassada, criada no
pós-guerra e que tem sérias dificuldades para ter suas resoluções atendidas.
Até porque os Estados Unidos, o fiador e financiador das barbáries do Estado de
Israel e de seus dirigentes sionistas são seus únicos interlocutores, em um
mundo diversificado, multirracial e cultural, bem como há muito tempo
questionador do sistema de poder que domina a ONU desde 1945.
A verdade é que a
comunidade internacional de 2014 não é a mesma da metade da década de 1940 do
século XX. Por seu turno, se mostram, hoje, inviáveis as condições políticas ou
geopolíticas para que Israel e seu financiador e sócio de interesses múltiplos,
os EUA, continuem em uma toada muda e surda, sem se importar com os valores e
princípios morais e religiosos que sempre nortearam os dois países.
Israel se comporta
como o 51º estado do país yankee, e atua e age como ponta de lança dos
interesses estadunidenses no Oriente Médio e, consequentemente, no mundo.
Afinal, os Estados Unidos tem uma população de judeus de cinco milhões de
habitantes, sendo que outros dez milhões vivem em diferentes países e
continentes, sendo que essa população de judeus que vive fora do território
norte-americano tem profundas ligações com a potência mundial e, evidentemente,
com a forte e influente comunidade judaica dos EUA.
Como todo mundo sabe,
os judeus são importantes homens e mulheres de negócios, sobretudo no que
concerne ao controle de bancos, pedras preciosas, petróleo e indústrias diversas,
desde a cinematográfica à de laboratórios farmacêuticos, além da armamentista.
Estão presentes, de forma singular, nas artes e ciências. São dedicados,
determinados, competentes, pois realizaram e realizam grandes obras para o
desenvolvimento e o bem-estar da humanidade, em todos os tempos e épocas.
Ponto!
Entretanto, a partir
da criação do Estado de Israel, no ano de 1948, em que o Brasil teve uma participação
fundamental e histórica — o que comprova a competência diplomática do
importante País da América do Sul —, Israel aumentou seus territórios por
intermédio de vários conflitos armados e nunca mais retornou ao que estava
estabelecido no ano em que o estado dos judeus foi criado.
Quaisquer resoluções
e censuras contrárias e determinadas pela ONU contra as ações de guerra de
Israel eram e são desrespeitadas, com o apoio sistemático e irrestrito dos EUA,
o país mais poderoso do mundo e dono de um arsenal militar sem precedentes na
história da humanidade. Além disso, os estadunidenses são um dos cinco membros
do Conselho de Segurança da ONU, criado no longínquo ano de 1945 e transformado
em fórum de debates e, principalmente, de embates da Guerra Fria.
Esta semana, dezenas
de países votaram contra Israel e o censuraram por ter cometido assassinatos em
massa de civis desarmados e indefesos na Palestina, sendo que a maioria dos
mortos era composta por crianças, mulheres e idosos. Os EUA mais uma vez,
apesar da carnificina de caráter hitleriano, votaram a favor de Israel, ao
tempo em que enviava às pressas o secretário de Estado, John Kerry, para mediar
um acordo de paz entre Israel e o movimento islamita Hamas.
Seria trágico se não
fosse dantesco. É isto mesmo. Porque a comunidade internacional e os dirigentes
norte-americanos sabem que o premier de Israel, Benjamin Netanyahu, somente vai
mandar parar de matar — ao que já é considerada limpeza étnica — quando o seu
governo sionista conseguir realmente deixar totalmente de joelhos seus
inimigos.
Esse fator importante
se torna uma grave imprudência estratégica de guerra cometida pelos sionistas,
além de ser a destruição moral daqueles que, mesmo sendo inimigos e derrotados
belicamente, precisam de um desafogo e de uma saída para respirar, e, por
conseguinte, negociar, mesmo contra sua vontade.
E por quê? Porque
sabedores que também os ativistas radicais do Hamas vão ter de parar de lançar
foguetes pelo menos momentaneamente, para que o extermínio de inocentes não
continue. O Hamas tem grande quinhão de culpa, mas a reação de Israel é por de
mais desproporcional e as mortes de pessoas indefesas vão constar para sempre
em suas escrituras.
Criminosos de guerra
como o senhor Benjamin Netanyahu podem não ser derrotados e nem punidos, no
decorrer de toda uma vida. Porém, o nome de Bibi (seu apelido) já consta como
um dos monstros da humanidade. A matança desenfreada, a ausência de qualquer
dignidade, honra e consciência sobre os atos e as ações do governo e das forças
militares israelenses contra os civis palestinos enclausurados em pequeno
território cercado de muros e de guardas armados fazem a humanidade retornar à
barbárie do mundo antigo ou aos tempos das cavernas.
Os assassinatos
sistemáticos na Faixa de Gaza não permitem arbítrio, porque impedem que os
palestinos acossados pelos bombardeiros não tenham para onde correr e, por sua
vez, escaparem da morte. Os ataques são de uma covardia ímpar e de uma desumanidade
inominável, inenarrável e incomensurável, que marca fundo a condição humana e a
consciência coletiva para sempre.
Israel e qualquer
país deste planeta eternamente em conflito tem o direito de se defender. Ponto!
Isto posto e dirimidas as dúvidas, nenhum ser humano ou governo tem o direito
de massacrar populações indefesas, pobres e desarmadas, a exemplo dos civis da
Palestina.
O grande irmão de
Israel, os Estados Unidos, são tão ou mais responsáveis do que os sionistas do
Oriente Médio. Os expansionistas e territorialistas que não medem conseqüências
para terem seus interesses concretizados, a despeito da dor que causam e da
morte contínua da esperança. Netanyahu está no limbo da história. É isso aí.
Fonte: Davis Sena Filho — Blog Palavra Livre