terça-feira, 3 de março de 2015

JUIZ SÉRGIO MORO É DENUNCIADO PELA PRÁTICA DE TORTURA

Presidente do grupo Tortura Nunca Mais em Goiás, o ex-preso político Waldomiro Baptista denuncia o juiz Sérgio Moro pela prática de tortura. “A ditadura, com o AI-5, acabou com o habeas corpus e estimulou o dedurismo, a delação. O que vejo na ação do juiz Sérgio Moro é algo semelhante: a prisão usada como método de investigação e também de tortura, algo que achava que havia sido enterrado na lata de lixo da história pela Constituição de 1988”, critica.
Waldomiro Baptista, o Mirinho, como é conhecido, é irmão de Marco Antônio Dias Baptista, 15, o mais novo desaparecido político do Brasil, tendo sido visto pela última vez em maio 1970. Sua mãe, Maria de Campos Baptista, morreu em um acidente de carro em 15 de fevereiro de 2006, na BR-060, no retorno de Brasília a Goiânia, após ter se encontrado com vice-presidente da República e ministro da Defesa, José Alencar (PR), a aquém pediu a elucidação das circunstâncias da morte do filho.
Mirinho diz que ficou revoltado com os maus-tratos a que estão submetidos os empreiteiros encarcerados pela Polícia Federal, em Curitiba-PR, após ler a reportagem da jornalista Mônica Bergamo, na Folha de S. Paulo, que revelou os abusos. “Eles estão em celas escuras, comem carne com as mãos, dividem-se em celas para quatro pessoas, com uma latrina comum, e até recentemente estavam impedidos de ler jornais e revistas”. Para o militante dos direitos humanos, a prisão e humilhação dos acusados reforçam a necessidade de o País rever a Lei de Anistia. “Ao não revisar a Lei da Anistia, o STF permite que se perpetue a tortura no País. As circunstâncias mostram que o juiz Moro pode estar fazendo uso deste método”, avalia.
Empreiteiros
Há três meses os maiores empreiteiros do País, responsáveis diretos por mais de 200 mil empregos, estão encarcerados indevidamente. Para Mirinho, os empreiteiros Leo Pinheiro, presidente da OAS, Ricardo Pessoa, presidente da UTC, Sérgio Mendes, vice-presidente da Mendes Júnior, Dalto Avancini, presidente da Camargo Corrêa, e Idelfonso Colares Filho, presidente da Queiroz Galvão, são presos políticos. “Não há legalidade na prisão. Os acusados não têm direito ao contraditório, e assim como na ditadura, os delatores têm mais fé pública que os acusados. Assim, o que vemos é que da forma que conduz as apurações, o juiz Sérgio Moro tortura os presos com a prisão, dá como verdadeiras as declarações de ladrões confessos e quer vencer pelo esgotamento emocional os encarcerados, forçando-os a delatar também. Isto, repito, é tortura”, alerta.
Para Waldomiro Baptista, as investigações são importantes, entretanto, ressalta que lei é lei e ninguém está acima da lei ou da Constituição. “Recentemente o ministro Marco Aurélio, do STF, numa crítica à Lava Jato, disse que a prisão passou a ser regra e a liberdade, exceção entre os acusados. Recentemente ao Estadão, o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Rogério Schietti, da 6ª Turma da corte, também condenou as prisões esclarecendo que juízes não podem prender cautelarmente antes da sentença final simplesmente levando em conta a gravidade do crime. Como diria o árbitro Arnaldo Cesar Coelho, a regra é clara, quem não está cumprindo é o juiz Moro”, informa.
Chantagem
Presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB e da Comissão da Verdade do Rio e ex-presidente da OAB-Rio, o advogado Wadih Damous também criticou a condução das investigações pelo juiz Sérgio Moro. No evento, na ABI, no Rio, em defesa da Petrobras, ele foi claro: “O espetáculo do Dr. Moro não garante o direito de defesa, o contraditório e a presunção de inocência”, frisa. Segundo ele, “desde o mensalão acabou no Brasil a presunção de inocência. Esse juiz ( Moro) é a reprodução daquele que se presume falar pelos brasileiros e brasileiras honestas. Em meu nome ele não fala”, reage.
De acordo com Wadih Damous, a defesa da Petrobras é uma defesa do estado de direito, que está sob ameaça. “Esse juiz e esses procuradores se respondessem ao Exame da Ordem da forma como se comportam na investigação da Lava Jato não seriam aprovados. Delação premiada é chantagem. Delação premiada não é pau de arara, mas é tortura!”, denuncia.
Waldomiro Baptista pretende encaminhar ofício ao ministro da Justiça, José Cardozo, pedindo esclarecimentos sobre os abusos denunciados pela jornalista Mônica Bergamo na carceragem da PF de Curitiba. “Eu e minha família fomos vítimas do arbítrio no passado, não desejo a nenhum ser humano a humilhação, o tratamento desumano e o vilepêndio à honra. Nós que lutamos contra a ditadura, e ainda lutamos pela valorização da vida, temos que nos indignar contra abusos contra quem quer que seja, sendo rico ou pobre, petista ou tucano”, conclui. (Com informações do site Conversa Afiada)

FUNDADOR DO PSDB DIZ QUE CLIMA DE ÓDIO NO BRASIL FOI CRIADO PELOS PERDEDORES NA ELEIÇÃO PRESIDENCIAL

A entrevista de Bresser-Pereira à Folha de domingo merece ser lida e provocar reflexões. Fala de uma mudança na conjuntura histórica, para além do curto prazo.
Ele vê a burguesia enfraquecida como classe. Empresários venderam suas empresas para multinacionais e viraram rentistas. Ressalva que há empresários nacionais com ideias, ou seja, podem participar de um novo pacto pelo desenvolvimento. 
Vê dificuldades com a falta de críticas ao imperialismo e ao cambio alto. A maior parte dos empresários se unificou sob a bandeira liberal.

Bresser propõe um pacto entre trabalhadores, empresários do setor produtivo, burocracia pública e a classe C contra o rentismo, os financistas e 80% dos economistas a serviço do setor financeiro e do capital estrangeiro.
Bresser, nos seus 80 anos, disse que preocupa o clima de ódio dos que perderam a eleição (os ricos e os liberais) e antidemocraticamente “não aceitaram e continuaram de armas em punho”. É a volta do udenismo golpista.
Ele foi fundador e dirigente do PSDB, saiu em nome de seus princípios e valores. Defende os ajustes do governo Dilma para corrigir “abusos na previdência” e “subsídios e isenções equivocadas”. Não vê aí desvio do desenvolvimento. Bresser não acredita na vitória do impeachment como coroamento da política do ódio. “A democracia está consolidada e todos ganham com ela, ricos e pobres".
"Surgiu um fenômeno que eu nunca tinha visto no Brasil. De repente, vi um ódio coletivo da classe alta, dos ricos, contra um partido e uma presidente. Não era preocupação ou medo. Era ódio".
A visão é do economista Luiz Carlos Bresser-Pereira, 80, que está lançando "A Construção Política do Brasil", livro que percorre a história do país desde a independência. Ministro nos governos José Sarney e FHC, ele avalia que o ódio da burguesia ao PT decorre do fato de o governo defender os pobres.

PETROBRAS RESISTE ATAQUES DE ANTI-NACIONALISTA E AUMENTA SUA PRODUÇÃO

EM LUZIÃNIA, GOIÁS, MP QUER DEMOLIÇÃO FRIGORÍFICO

Os promotores de Justiça de Luziânia Julimar Alexandro da Silva e Jean Cléber Zamperlini propuseram ação civil pública em defesa do meio ambiente contra a Frigocarnes – Indústria e Comércio de Alimentos Ltda. e seu diretor, Eduardo Felício.
A indústria manteve na cidade atividade altamente poluidora e, mesmo estando interditada, os danos ambientais são graves e sua estrutura física apresenta risco de quedas de materiais e desabamento.
Desta forma, o MP requer a sua condenação para que seja elaborado um projeto de recuperação de área degradada, no prazo de 90 dias e execução em 180 dias, na área ocupada pela empresa nas proximidades do Rio Vermelho e na sede da empresa, às margens da GO-010, km 2, Bairro São Caetano, em Luziânia.

Pede ainda a retirada imediata de animais que estejam no local e que possam trazer riscos ao meio ambiente, sobretudo ao Rio Vermelho. Foi requerida também a construção, em 30 dias, de poços de monitoramento para análise de possível contaminação do lençol freático.
Em relação à desativação e demolição do frigorífico, o MP requer que tais providências sejam feitas em 30 dias, devendo-se retirar toda a parte líquida das lagoas de tratamento e do lodo do fundo das lagoas, reconformar e reflorestar essas áreas.
A poluição
Os promotores relatam que, no final de 2013, foi aberto inquérito para apurar irregularidades nas dependências da empresa, ficando constatada, por meio de vistoria do Corpo de Bombeiros, a existência de um tanque de amônio desativado que, aparentemente, causaria intoxicação atmosférica, sendo o local insalubre e com possíveis riscos biológicos, devido ao armazenamento indevido de bucho de gado, segurança ineficiente, falta de técnico especializado esgoto a céu aberto.
Uma outra visita técnica feita pela antiga Semarh de Luziânia verificou a situação precária de escoamento de efluentes do frigorífico, onde transbordaria e escoaria sangue, vísceras e demais resíduos para o solo, bem como o transbordamento de chorume de uma esterqueira. Na ocasião, o responsável pela indústria foi notificado a fazer as adequações necessárias, em 20 dias.
Após esse prazo, vistoria do órgão atestou que a empresa não estava em atividade no momento da averiguação, sendo que as instalações não apresentavam capacidade e infraestrutura para seu funcionamento, com evidente risco ambiental, ainda que desativadas.
Vistorias, incluindo a do Ibama, concluíram pela interdição do estabelecimento comercial, alertando que a implantação de um plano de recuperação de área degradada é urgente, devendo ser retirada a ETE da área de preservação permanente entre outras medidas.
Em razão desses pareceres, recomendou-se a interdição da empresa, o que foi cumprido. Relatório da Agência Ambiental de Goiás, entretanto, concluiu que o local foi extremamente modificado pelas atividades ali antes desenvolvidas, opinando pela implantação de medidas de controle e manutenção da multa e interdição.
Além de todas essas constatações, o Corpo de Bombeiros apontou que a sede da empresa apresenta problemas estruturais, com risco de queda de materiais e desabamento, devido a grandes aberturas nas paredes feitas por vândalos e moradores de rua, recomendando a demolição do prédio. (Cristiani Honório - Assessoria de Comunicação Social do MP-GO - banco de imagens)
Fonte: MPGO - 02/03/2015 - 13h06 - Meio Ambiente

O QUE EXISTE POR TRÁS DE SÉRGIO MORO? JUIZ DA OPERAÇÃO LAVA JATO


A advogada Rosângela Wolff de Quadros Moro, esposa do implacável Juiz da Operação Lava Jato, Sérgio Fernando Moro, foi alvo de uma intensa investigação feita pela Assembléia Legislativa do Paraná em 2011, no qual o Casa de Leis descobriu que a advogada, juntamente com os advogados Marcelo Zanon, Fábio Zanon Simão, e Rubens Acléssio Simão, fariam parte de um mega-esquema de falências revelado nas apurações da comissão parlamentar de inquérito.

Na época saiu até um livro sobre o esquema desbaratado pela CPI, no qual o título é: “Poder, Dinheiro e Corrupção: Os Bastidores da CPI das Falências”, obra escrita pelo deputado Fabio Camargo (PTB) autor e presidente da CPI. Inclusive, na obra é anexada cópia de um pedido de prisão feita contra os investigados pela polícia civil. As supostas condutas criminosas apresentadas neste documento foram um dos motivos do pedido de recolhimento de todas as edições do livro.
A banca de advogados é acusada de conduta de desvio de valores na administração de mais de cem falências, segundo apurou a CPI das Falências.

**“Poder, Dinheiro e Corrupção: Os Bastidores da CPI das Falências”


O administrador judicial Marcelo Zanon também protocolou uma notícia crime justificando que o deputado, ao publicar algumas informações no livro, teria cometido crime de violação de segredo de justiça, com pena prevista de dois a quatro anos de reclusão e mais multa, segundo a lei 9296/1996, no artigo 10. O MP rejeitou o pedido ao alegar da impossibilidade de cometimento de crime por uma questão de datas. As cópias do inquérito que constavam dados divulgados na obra não estavam sob segredo de justiça pelo período de mais de um mês. Permaneceram disponíveis junto à Vara de Inquéritos para consulta, segundo trechos do parecer. O procedimento contra o deputado no MP é de número 18327/2012.

Desde o começo de CPI, Camargo sofreu diversas ações da família Simão, a maioria buscando censurar seus pronunciamentos ou proibir divulgar informações nos veículos de comunicação. Todas, até o momento, rejeitadas pelo MP e pela Justiça.
De acordo com o deputado “algumas empresas se perpetuam por cerca de 20 anos em processo de falência para deixar de pagar seus impostos, funcionários e credores”. Há indícios de esquema entre proprietários de empresas falidas e os administradores da falência designados pela Justiça.Em apenas uma das quatro varas judiciais que tratam de falência em Curitiba, são movimentados R$ 15 bilhões em processo de falências e concordatas.

segunda-feira, 2 de março de 2015

POLÍCIA DE CALDAS NOVAS PRENDE JOÃO DO PORCO

João Barbosa da Silva, de 35 anos, conhecido como João do Porco, foi preso na madrugada de sábado em um bar no Residencial Brisas da Mata, em Goiânia, por policiais do Grupo Tático 3 (GT3) da Polícia Civil (PC). A ação foi organizada pelo delegado Leylton Barros, da delegacia de Caldas Novas. A PC estava no encalço dele desde agosto de 2014, ao participar de roubo na Fazenda Jenipapo, em Caldas Novas. Antes, participou, em 2013, de uma chacina em que cinco pessoas de uma mesma família morreram em Anápolis.
A prisão do suspeito, que seria especializado em roubos de fazendas e que estuprava as vítimas, se deu na madrugada do último sábado. A equipe de investigadores comandada por Barros verificou que seria a oportunidade ideal da detenção, já que pela primeira vez João do Porco estaria mais relaxado, bebendo com amigos em um bar. Até então, todas as vezes que saia de seus esconderijos havia sido para cometer crimes, segundo a investigação. Ele não resistiu à prisão e estava desarmado. Até a noite de sábado, estava detido na carceragem da Delegacia de Capturas (Decap), no Setor Jaó.
A reportagem conversou com o policial plantonista da Decap na tarde de ontem e foi informada que João do Porco não estava no local, podendo ter siso transferido para a carceragem da Delegacia de Investigação de Homicídios (DIH), onde também não estava. Segundo Barros, a última informação que ele tem é de que o criminoso estava sim na Decap. O delegado conta que João do Porco foi monitorado pela PC desde o crime na Fazenda Jenipapo e, neste tempo, ficou morando entre Anápolis e Goiânia.
A detenção de João do Porco é vista pela PC como o fim de uma quadrilha especializada em roubos a fazendas, que cometia crimes cruéis ao torturar suas vítimas por horas e estuprava as mulheres que estivessem no local. Os homicídios não eram a principal atividade do grupo, mas ocorriam em face de reações das vítimas ou acerto de contas com grupos rivais. O grupo era liderado por Valdeli Alves da Silva, conhecido como Raul, preso no final de janeiro. Raul era casado com Sefi da Silva Moura e João do Porco, casado com uma de suas filhas, Derlene da Silva Moura, de 19 anos.
O primeiro grande crime feito pelo grupo foi em setembro de 2013. No Bairro Granville, em Anápolis, cinco pessoas foram mortas a tiros e facadas. Os irmãos Sonildo Sérgio Feitosa, de 35 anos, e Cacildo Sérgio Feitosa, de 37, chegaram a ter uma das orelhas arrancadas. No entanto, até o roubo da Fazenda Jenipapo, não havia provas concretas da participação do grupo, incluindo João do Porco.
O inquérito do roubo na fazenda, em que os reféns, incluindo uma mulher de 80 anos, foram torturados por horas, foi finalizado primeiro e, por isso, o mandado judicial pela prisão temporária mais antigo é por este caso.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

RESPONTA ESSAS QUESTÕES


NA SUA OPINIÃO, A NOSSA POLICIA NÃO TEM INFLUÊNCIA POLITICA?

QUEM INDICA UM COMANDANTE DE UM BATALHÃO É O POVO OU O GOVERNADOR?
O PREFEITO ALIADO DO GOVERNADOR PODE CONSEGUI A TRANSFERÊNCIA DE UM COMANDANTE?
SE O GOVERNADOR ACHAR QUE O COMANDANTE NÃO É PARTIDÁRIO ELE INDICA ESSE POLICIAL PARA ALGUMA FUNÇÃO?
VOCÊ REALMENTE ACHA QUE NÃO EXISTE INTEFERÊNCIA POLITICA EM NOSSO POLÍCIA?

BOMBEIROS MILITARES ATENDEM OCORRÊNCIA DE CAPOTAMENTO



Na manhã desta quarta-feira, 18, as equipes da UR-166, composta pelo 2º Sgt Agnaldo, 3º Sgt Batista e Sd Cristiano, e do ABTS-04, composta pelo ST Guilherme e 1º Sgt Cunha, foram acionadas para atender a uma ocorrência de capotamento na GO-139, próximo ao Grupinho. O veículo Siena saiu da pista e capotou, vitimando um rapaz de 33 anos que morava em Goiânia. A vítima ficou presa às ferragens, e segundo atestou o médico do SAMU, veio a óbito no local.
Confira o video:

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Piracanjuba, Goiás: A nova rota de imigração ilegal para os Estados Unidos

O cotidiano da pequena Piracanjuba (GO), distante 74 quilômetros da capital Goiânia, é típico de uma cidade com pouco mais de 24.000 habitantes. O clima pacato, porém, esconde uma particularidade inusitada: é de lá que parte uma das principais rotas de imigração ilegal para os Estados Unidos, comparável em número de casos e relevância para as investigações policiais com Governador Valadares (MG), o maior polo de imigração para o território norte-americano. Foi em Piracanjuba que a Polícia Federal cumpriu na última terça-feira dois dos seis mandados de prisões preventivas expedidos durante a Operação Coiote, que desmantelou uma quadrilha responsável por transportar 49 brasileiros de forma clandestina para os Estados Unidos.

O esquema desmontado na cidade goiana era operado por agências de turismo localizadas em Goiânia e Governador Valadares, que cobravam até 30.000 reais para conseguir o visto de turismo por meio de documentos falsificados. As viagens eram operadas por coiotes – apelido para quem leva imigrantes brasileiros ilegais aos Estados Unidos. Entre os documentos falsos usados para driblar as exigências do consulado americano, a polícia encontrou contratos de trabalho forjados, declarações de Imposto de Renda fictícias  e até vínculo falso com o corpo consular brasileiro e o Exército. Sem o visto, os imigrantes arriscam a sorte e se submetem a uma arriscada viagem de até 15 dias, que inclui situação de cárcere privado para evitar que chamem a atenção da polícia ou desistam no meio do caminho. Um desses coiotes, José Antônio Spinoza, mexicano com cidadania americana, está foragido e foi incluído na lista de procurados da Interpol.

De acordo com as investigações, Spinoza recebia os clandestinos brasileiros em solo mexicano. Eles partiam de Piracanjuba, Goiânia, Aparecida de Goiânia, Governador Valadares, Uberlândia (MG), Vitória (ES), Rio de Janeiro (RJ) e Vilhena (RO) até o aeroporto internacional de São Paulo, onde embarcavam em voos regulares até a Cidade do México. De lá, a quadrilha cruzava mil quilômetros com os imigrantes em carros e vans até Reynosa, na fronteira com o Estados Unidos. Essa última etapa da viagem é a mais tensa. Segundo depoimentos colhidos pela Polícia Federal, os grupos ficam presos em casas de famílias mexicanas durante dias esperando o melhor momento para cruzar a fronteira e chegar à cidade de McAllen, no Texas. A travessia é feita a pé e chega a levar até quatro dias.
Muitos são presos pela polícia americana que atua nas fronteiras e outros encontram o fim da linha ainda no México. Segundo os policiais, um casal pagou para a quadrilha forjar uma identidade militar falsa e, assim, conseguiu entrar nos Estados Unidos com visto de turismo. A viagem deu certo, mas alguns dias depois, o pai voltou sozinho para buscar um familiar no Brasil e, ao tentar entrar no país novamente, a falsificação foi descoberta e ele foi deportado. No Brasil, ele aguarda apreensivo a chance de ver novamente a mulher e filho que não podem retornar pelo medo de serem descobertos pelas autoridades.  
Apesar dos inúmeros riscos envolvidos na travessia clandestina, os grupos eram frequentes. Um deles, formado por quatro pessoas, partiria durante o feriado de Carnaval. “A ideia era aproveitar o maior fluxo de turistas para não levantar suspeitas”, diz o delegado regional executivo da PF em Goiânia, Umberto Ramos Rodrigues, que presidiu as investigações. A Operação Coiote encontrou imigrantes brasileiros ilegais nas cidades em Seattle, Washington, Atlanta, Newark, na região metropolitana de Nova York, Kansas e Missouri. Das 49 pessoas que encararam a viagem no últimos três anos, ao menos dez permanecem nos Estados Unidos, segundo estimativas da Embaixada Brasileira.
A rota traçada pela investigação é percorrida por imigrantes ilegais de vários países. Há relatos de pessoas que fizeram a travessia e encontrou diversas nacionalidades nos abrigos mantidos pelas quadrilhas. A polícia que atua na fronteira de Rio Grande Valley, região onde estão as cidades de Reynosa, no México, e McAllen, no Texas, é a que mais prende imigrantes ilegais. De acordo com o departamento americano de Segurança Interna, em 2013, foram presos cerca de 154.000 clandestinos tentando entrar no país pelas fronteiras do Rio Grande Valley – 36,7% do total de apreensões realizadas em todo o país no período.
A última estimativa feita pelo Centro de Pesquisas Pew, em 2012, aponta que 11,7 milhões imigrantes ilegais vivem nos Estados Unidos. A maioria (52%) é de nacionalidade mexicana – cerca de 6 milhões. Os brasileiros não documentados somam 100.000, segundo o centro de pesquisas, mas foi em 2007 que a consultoria registrou a maior concentração de brasileiros em situação irregular: 180.000 imigrantes.
O consulado brasileiro não soube precisar o número de piracanjubenses que vivem ilegalmente nos Estados Unidos, mas a relevância desse pequeno município na questão imigratória foi percebida pela Polícia Federal há cerca de três anos, quando tiveram início as investigações que culminaram na Operação Coiote. Piracanjuba entrou no radar por causa da quantidade acima do normal de pedidos de visto de turismo feito por militares – depois, descobriu-se que se tratava de documentos falsos fabricados pela quadrilha. A peculiaridade levou ao monitoramento do IP do computador que enviava do pequeno município de Goiás os protocolos de pedidos de vistos ao consulado americano. A partir disso, foi descoberta a rede de agências de turismo. 
Apesar de transportar pessoas de forma ilegal para outro país, os indiciados não irão responder por tráfico internacional de pessoas, porque no Brasil o crime é tipificado apenas quando há comprovação de viagens para fim de exploração sexual. De acordo com o delegado Umberto Ramos Rodrigues, os acusados devem responder pelos crimes de falsidade ideológica e fraude.
A cidade goiana não é um foco de imigração clandestina por acaso. O fluxo migratório teve origem no início dos anos 1980, quando uma família local foi convidada para ir a Atlanta trabalhar para uma família de missionários pentecostais, que tinha negócios ligados à construção. Com o tempo, a conexão Marrieta, cidade na região metropolitana de Atlanta, e Piracanjuba se fortaleceu à medida em que parentes e amigos passaram a imigrar para viver com os brasileiros lá estabelecidos. “As mulheres se dedicam a trabalhos de limpeza doméstica e os homens atuam na construção. Aos poucos, as mulheres passaram a faturar tanto quanto os homens, a maioria mais”, diz o professor Alan Marcus, do Departamento de Geografia e Gestão Ambiental da Towson University, em Maryland, nos Estados Unidos.

De acordo com Marcus, a escolha por Atlanta como destino final começou no início da década de 1990, quando a cidade foi praticamente reconstruída para abrigar as Olimpíadas de 1996 e teve uma grande demanda de trabalhadores na construção civil, setor da economia que abriga a maioria dos imigrantes brasileiros nos Estados Unidos.  
Fonte: Veja

Jovem recebe dezenas de mensagens de ‘parabéns’ por aniversário de estupro


Após dar um doloroso depoimento no Facebook sobre o estupro que sofreu dez anos atrás, Viviane Teves começou a receber mensagens cruéis de “feliz aniversário” pelo ocorrido, nesta quinta-feira, dia em que o ataque completa dez anos.

“Desde meia-noite eu tenho recebido mensagens no meu WhatsApp. Mais de 40. Descobriram meu número e jogaram em um grupo de zoeira para pessoas aleatórias me zoarem. Todas me parabenizando por esta data e desejando que aconteça novamente”, relatou a moradora de São Paulo em seu perfil.

Viviane era administradora da página Humor Negro, no Facebook, extinta em 2012 e, antes disso, de uma comunidade de mesmo nome no Orkut, criada em 2004. Os autores do cyberataque são antigos membros dessas redes, que desejam punir a fundadora por ter deletado as páginas.

Hoje coordenadora de mídias sociais do projeto de educação eduk, Viviane também tem recebido montagens ofensivas de fotos suas e xingamentos. Ela registrou os números de telefones, perfis e mensagens dos autores e já está a procura de advogados para que possa processar assediadores. Ela pretende denunciar o caso à Delegacia de Delitos Cometidos por Meios Eletrônicos.

“E se eu não fosse forte? E se eu não aguentasse e tentasse o suicídio? Teríamos mais um caso de suicídio por cyberbulling? (...) As pessoas pensam nas consequências de seus atos?”, questionou a jovem na web.

Uma mensagem publicada no grupo da rede WhatsApp “Vivi. 10 anos de estupro” expôs o número de celular de Viviane e convocou os internautas a enviarem mensagens ofensivas a ela:

“Hoje é um dia muito especial. Faz dez anos que nossa querida Vivi Teves foi estuprada e depois desse diz ela nunca mais foi a mesma. Até hoje ela está brincando de DJ e esperando um novo estupro. Então desejem parabéns a ela, afinal, não se faz dez anos todo dia”, dizia o anúncio publicado na web.

A administradora do grupo, do Mato Grosso do Sul, irritou-se com a repercussão do caso:

- Não falei nada de ofensivo para ela. Mas ela não faz uma página de humor negro? Então tem que aguentar - disse a garota, antes de desligar o telefone na cara do repórter.

ASSOMBRAÇÕES DO PASSADO

Viviane explicou que os antigos fãs da página Humor Negro a atacam frequentemente para forçar que ela volte com a página, que fazia “piadas com tragégias”, segundo a própria moderadora. Mas essa foi a primeira vez que usaram o caso de estupro como munição, já que a criadora da comunidade célebre ainda não havia falado publicamente sobre o incidente até recentemente.

- Eu não quero voltar. Eu cresci. Quero focar no lado profissional. Não sou mais adolescente. Então toda vez que eu falo que não vou voltar, eles me atacam assim - contou a paulistana, por e-mail.

Segundo a especialista em mídias sociais, os antigos membros da comunidade já ameaçaram seu filho, de 13 anos, de sequestro, fizeram montagens de cunho sexual com suas fotos e atrapalharam sua vida profissional ao inventar boatos.

- Até que simplesmente fizeram um grupo no Facebook, conhecido como Máfia da Barba, e disseminaram meu telefone, pedindo para que os membros me mandassem parabéns pelo estupro - contou Viviane. - Eu sou forte hoje. Mas, na época, tentei suicídio.

Viviane reconheceu que errou ao criar uma página que era usada para fazer piadas com acidentes, doenças e outras tragédias, mas, para ela, o massacre que está sofrendo não tem justificativa.

- Se os erros do meu passado estão caindo sobre mim? Talvez... Mas ainda acho que nada disso justifica.

RELATO DE VIOLÊNCIA

Num texto divulgado em sua página no Facebook na última segunda-feira, Viviane relatou o estupro sofrido, na esperança de que seu relato desse força a outras jovens que passaram pela mesma situação.

“Eu relembro o rosto, eu relembro o ato, eu relembro o dia, a dor, a droga na minha bebida, a roupa rasgada, o dinheiro roubado, o carro batido. E foi apenas passar por um lugar próximo do que aconteceu que tudo voltou a tona”, recordou Viviane.

Em outro trecho do depoimento, a sobrevivente contou que até hoje sofre com as lembranças, mas que, com o apoio da família, dos amigos e do namorado, está conseguindo superar, dia após dia, violência que sofreu.

“Hoje em dia tantas pessoas passam por isso (o que é horrível) e conseguem lidar. Eu consegui, do meu jeito. Não tenho problemas em falar isso publicamente, eu acho que esse é o tipo de assunto que todos devem saber. Todos devem se conscientizar”, afirmou.

De acordo com a coordenadora de mídias sociais, o estuprador era um falso vidente, que a abordou no terminal rodoviário do Centro de São Paulo.

- Ele disse que ia fazer a pessoa de quem eu gostava se apaixonar por mim e me levou a uma padaria. Eu era uma menininha inocente e acreditei - lembrou.


O homem teria drogado a adolescente e a levado para um motel, onde a estuprou, roubou seu dinheiro e sua máquina fotógrafia, que usou para tirar fotos da vítima nua.

- Eu não conseguia fazer nada, a não ser sentir tudo. Não me mexia, não conseguia falar, só chorar. Ele fez tudo que quis.

Na época, Viviane não denunciou o crime à polícia.