quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

TENTOU ESTUPRÁ UMA CRIANÇA DE 8 ANOS E TEVE OS TESTÍCULOS CORTADOS

Antônio Frazão Rodrigues, que seria foragido da justiça do Maranhão, foi preso na manhã desta terça-feira (21/01) no bairro Buenos Aires, zona Norte de Teresina, após ser flagrado durante uma tentativa de estupro a uma menina de apenas 8 anos.
Quando um vizinho chegou na residência, flagrou o homem nu em cima do sofá, com a criança dominada, puxando-a para cima do seu colo. Os parentes da criança foram logo chamados e com a ajuda da população começaram a linchar Antônio.

Ele foi violentamente agredido e um facão foi usado para cortar os testículos do suspeito, que foi levado para o Hospital de Urgência de Teresina.
Segundo o policial militar, cabo F. Gonzaga, o suspeito levou vários pontos nas partes íntimas e apresentava várias escoriações pelo corpo. Já a criança ficou estado de choque depois das agressões. As informações são de que o ato não teria sido consumado, mas a menor sofreu com a pressão psicológica imposta por Antônio, que ameaçou até mesmo a menina de morte, caso ela contasse sobre o ocorrido.
TRABALHAVA COM O AVÔ DA VÍTIMA

Ainda de acordo com a polícia, Antônio, de 48 anos, trabalhava na residência da vítima como sapateiro, auxiliando no negócio do avô da menina. Natural de Pedreiras (MA), o suspeito já teria uma acusação naquele estado também por estupro.

INTERNAUTA RECLAMA EM REDE SOCIAL DA SAÚDE DE CALDAS NOVAS

LAMENTO, CONSIDERANDO A ATENÇÃO DO PREFEITO DE CALDAS NOVAS, MAGAL, PELA ATENÇÃO A UMA POSTAGEM QUE COLOQUEI NA REDE, RECENTEMENTE, COM RELAÇÃO A NOSSA SAÚDE PÚBLICA... SE É QUE SE PODE CHAMAR DE SAÚDE QUANDO O SISTEMA, POR SI SÓ JÁ É DOENTE.
NA OCASIÃO MENCIONEI COMO EXEMPLO UM CASO ESPECÍFICO, DA MINHA PARTE E O PREFEITO, COMO SEMPRE, MUITO ATENTO, IMEDIATAMENTE SOLICITOU QUE UMA DE SUAS ASSESSORAS, CINTIA ME PROCURASSE E AJUDASSE A RESOLVER O PROBLEMA.
MAS O PROBLEMA É QUE A SOLUÇÃO DO PROBLEMA É QUE É O PROBLEMA.
COM A AJUDA E FINALMENTE FEITO O ENCAMINHAMENTO, LÁ FOI A PACIENTE... (E NÃO É A TOA QUE SÃO CHAMADOS DE PACIENTES...).
MAS DAI PRA FRENTE É O QUE TODOS DO POVÃO JÁ SABEM:
o DR. NEM OLHA NA CARA, DESDENHA, FAZ PIADAS DOS SEUS DESESPEROS E PROBLEMAS; E GERALMENTE DA COICES MAIS QUE CAVALOS SELVAGENS.
DE HUMANOS SÓ TÊM O INTERESSE PELO DINHEIRO. 
COMO EM TUDO, HÁ EXCEÇÕES, CLARO.
DIFÍCIL É DE ACHAR.
CONCLUSÃO:
UMA MULHER, SANGRANDO... COM HEMORRAGIA E CÓLICAS HÁ MAIS DE DOIS MESES SEM PARAR, MESMO TOMANDO REMÉDIOS; E AINDA, QUE NÃO ENGRAVIDA MESMO SEM TOMAR ANTICONCEPCIONAIS... O TAL GINECOLOGISTA, O QUAL INCLUSIVE É MEIO AMIGO MEU. POR ISSO O NOME, DEIXA PRA LÁ. MESMO PORQUE COMO JÁ DISSE, SÃO QUASE TODOS IGUAIS.
MAS A QUESTÃO É QUE NEM POR RESPEITO OU EDUCAÇÃO, OLHAM NA CARA DO PACIENTE. E, NO CASO NEM UM EXAME DE ULTRA SOM NÃO FOI PEDIDO.
SÓ DISSE PARA TOMAR UM REMÉDIO E SE O PROBLEMA CONTINUAR, VOLTA LÁ PARA ARRANCAREM O ÚTERO DELA E PRONTO.
ESSE TUMOR DENOMINADO DE SAÚDE PÚBLICA, SIM, É A DOENÇA DAS DOENÇAS; E PELO VISTO, SEM CURA.

DE QUALQUER FORMA, AGRADEÇO AO PREFEITO PELA ATENÇÃO. E APROVEITO PARA DISPENSAR ESSE TIPO DE "ATENDIMENTO".

AGRADEÇO E LAMENTO TAMBÉM PELO TRABALHO DA CINTIA, EM TER IDO LÁ, MARCAR A CONSULTA, ETC.

LAMENTO E QUE DEUS TENHA PIEDADE DOS DEMAIS QUE PRECISAREM, OU QUE JÁ ESTÃO NA FILA.................. PRECISANDO.

1.296 CASOS DE MORTOS, LIVRO FALA DOS CASOS!

Luciano Nascimento

Repórter da Agência Brasil
Brasília – Cerca de 90 trabalhadores rurais sem terra acompanharam, nesta sexta-feira (24), o  lançamento do livro Camponeses Mortos e Desaparecidos: Excluídos da Justiça de Transição. A obra pretende auxiliar a Comissão Nacional da Verdade (CNV) no reconhecimento oficial de 1.196 casos de camponeses mortos e desaparecidos no campo em função das diversas formas de repressão política e social entre setembro de 1961 e outubro de 1988, período indicado pela Lei 9.140/1995 – a primeira a reconhecer que pessoas foram assassinadas pela ditadura militar (1964-1985).

Apesar do número expressivo (3,5 vezes acima do total de reconhecidos oficialmente como mortos por perseguição política), apenas 51 casos foram analisados pela Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) e, desses, 29 tiveram a causa da morte relacionada à questão política.
“É importante para os trabalhadores rurais, para os camponeses brasileiros recuperar essa história, porque muito dessa história ainda é atual e o estado tem a responsabilidade de apurar os crimes e, com a Comissão da Verdade, fazer com que isso seja colocado a limpo”, disse o coordenador do projeto Direito à Memória e à Verdade, Gilney Viana, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH), que elaborou o estudo que resultou no livro em parceria com a Comissão Camponesa da Verdade. 

De acordo com o livro, há mortes durante o regime militar e também durante o regime civil. Quatro pessoas foram assassinadas antes do golpe de abril de 1964; 756 foram mortas durante a ditadura (sendo 432 na abertura política após 1979); e 436 após março de 1985, na transição civil (governo Sarney). Segundo o documento, o aumento da violência no campo a partir da distensão e ao longo da chamada Nova República tem a ver com a organização política dos trabalhadores rurais.
Os estados que acumulam o maior número de pessoas assassinadas (lideranças ou não) são o Pará (342 mortes); o Maranhão (149 mortes); a Bahia (126 mortes); Pernambuco (86 mortes) e Mato Grosso (82 mortes). Mais de 96% dos assassinados eram homens.
Grande parte das mortes não ocorreu pelas mãos dos “agentes do Estado” (policiais e militares), 15% do total (177 casos); mas por “agentes privados” (milícias e pistoleiros contratados). Na avaliação de Viana, a participação de agentes do Estado nem sempre é tão clara porque, no campo, a repressão acabava sendo exercida pelos latifundiários. "O poder do Estado lá era delegado a um fazendeiro, a um coronel que atuava às vezes como preposto da ditadura. É uma situação política que exige uma nova interpretação da lei [que criou a Comissão dos Mortos e Desaparecidos Políticos no Brasil]", defendeu.
Sem-terra de Parauapebas no Pará, Francisco Moura, região que permanece campeã em conflitos pela posse da terra, relata que alguns casos permanecem na memória das novas gerações. “Como nós moramos na região que é das mais conflituosas hoje na questão da luta pela terra, nós conhecemos muito a história de alguns desses personagens que estão no livro”, disse.
A obra foi encaminhado à Comissão Nacional da Verdade que, na terça-feira (21), fez o balanço  de seu primeiro ano de atividades.
Edição: Fábio Massalli
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Petrolina (PE), Santa Maria da Boa Vista (PE)  – Faz 40 anos que a chuva não faltou assim em Pernambuco. A seca de 2012, que levou 122 municípios a decretar estado de emergência, matou de fome cerca de 200 mil animais (outros 300 mil foram abatidos antes que a falta de chuva os matasse). Entre os mais de 1 milhão de sertanejos vitimados pela estiagem, os que vivem da roça perderam 100% das lavouras de milho e feijão; e 80% dos açudes e barragens do sertão viraram pó. É o que contabiliza o governo do Estado.
 Localizada às margens do rio São Francisco, a região de Petrolina, segunda maior cidade do Estado, também é sufocante nesta época do ano. Quem deixa o município pela BR-122 rumo a Lagoa Grande mergulha em uma paisagem cinza de Caatinga ressequida. O ar tremula oleoso de quentura, e à passagem do carro, urubus preguiçosos apenas saltitam de esguelha ou levantam um vôo curto para rapidamente voltar à carcaça da vaca morta na beira da estrada. Vez por outra, cabritos mais desatentos, que vagam feito retirantes pelos acostamentos, botam susto no motorista.
Percorridos pouco mais de 140 quilômetros pela BR, pode-se quebrar à direita numa brecha de cerca sem sinalização, e seguir por uma estradinha de terra que desemboca em uma pequena agrovila. Chegou-se ao assentamento São José do Vale. Algumas curvas além, um verde desatado engole a Caatinga. Aqui, parreirais, campos de melancia, goiabeiras, mangueiras e pinha, que se revezam nos pequenos lotes, contam a história de um outro sertão.
 São José do Vale é um dos 32 assentamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) do lado pernambucano do Vale do São Francisco, no trecho entre Petrolina e Santa Maria da Boa Vista. Os cerca de 120 hectares do atual assentamento pertenciam à Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco), que os havia arrendado ao falido projeto Sanrisil para produção de goiaba e plantas medicinais. Em 1996, a área foi ocupada pelo MST, e um ano e dois despejos depois, no final de 1997 sua posse foi emitida para os sem terra. Com 36 famílias, São José está entre os 10 assentamentos do MST na região que se beneficiam de uma estrutura operante de irrigação.
 Do quase nada ao muito melhor
Nativo de Bodocó, Pernambuco, Francisco Regivaldo dos Santos deixou a terra seca dos pais em 1992 e se empregou como trabalhador em um projeto de produção de goiaba nas cercanias de Petrolina. O trabalho e o patrão não eram ruins, mas as histórias de uns e outros que conseguiram terra próprio na região mexeram com ele. Em 2000, resolveu raspar o tacho das economias e tentar a sorte em um dos lotes que vagou no assentamento de São José do Vale.
 Confortavelmente instalado à sombra de uma árvore no espaçoso quintal de sua casa, Francisco sorri quando lembra o passado. “Quando cheguei aqui não havia produção na terra. Tive que desmatar a caatinga por conta própria, e no começo passamos fome mesmo. Eu acordava todo dia às 4 horas da madrugada, saía sem comer, porque não tinha, e quando chegava em casa era só um cuscuz com café. Construímos nosso primeiro barraco debaixo da mangueira”.
Assim na aparência, pouco na vida de Francisco hoje lembra aquele começo difícil. Há quatro anos, a família terminou a construção da casa (grande até para padrões da cidade) na beira do rio. Ao lado, montou uma estrutura para receber amigos e visitantes nos finais de semana, com cozinha, churrasqueira e bar; e na garagem guarda sua caminhonete prateada.
 Da varanda da casa, separado apenas por uma ruazinha de terra, pode-se avistar o plantio de pinha e atemóia de Francisco, que ocupa 1,6 hectares. Ao lado, segue o meio hectare de manga, e pouco adiante se estendem os dois hectares de uva de mesa da família – tudo irrigado. Pelos seus cálculos, o assentado tira hoje cerca de R$ 3 mil por mês com a produção de frutas, mas já teve vez que a renda mensal chegou a R$ 10 mil. “Um ano em que tudo teve preço”, lembra. “Só posso dizer que nos últimos 12 anos a minha vida melhorou muito”, assegura rindo, só para reafirmar.
 Se a qualidade de vida melhorou, a demanda de trabalho continua a mesma. Ou melhor, aumentou. Tanto a pinha quanto a atemóia são culturas rentáveis, mas que precisam ser polinizadas manualmente, explica Francisco. Isso significa introduzir manualmente o pólen nas flores de cada planta para garantir a frutificação.  Já o manejo da uva – carro-chefe dos assentados de São Jose, e que rende duas colheitas anuais –, exige uma dedicação que pode inviabilizar áreas maiores.
 Grosso modo, o custo inicial para a estruturação de um hectare de uva de mesa irrigada em São José do Vale é de cerca de R$ 50 mil, contando-se a aquisição dos mourões, dos arames e da estrutura de irrigação por gotejamento (bomba de água, dutos e mangueiras).
Comprar itens usados pode diminuir os gastos – paliativo adotado por vários assentados, muitos dos quais se estruturaram basicamente com verbas do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) –, mas o manejo no período de produção é invariavelmente trabalhoso e caro: depois da florada, é preciso uma primeira varredura do parreiral para ralear os cachos de forma a permitir uma produção uniforme e de qualidade. Uma segunda varredura é feita quando a uva está amadurecendo, e, com muito cuidado, examina-se cacho a cacho e retiram-se os frutos danificados, para que os demais não sejam contaminados e perdidos. Depois da colheita, segue-se a poda do parreiral, e uma espera de 60 dias para que as plantas reiniciem o ciclo produtivo.
“Aqui todo mundo é apaixonado pela uva, mas nosso maior problema é achar e pagar a mão-de-obra necessária. Uma diária está saindo por volta de RS 27, e tem mulher ganhando até 80 reais por dia para ralear uva. É caro demais ter que contratar; nessa atividade não dá pra ter funcionário”, explica Francisco, que, no entanto, já paga cinco ajudantes.
 A capacidade do assentamento de ser praticamente autossuficiente no que tange a mão-de-obra – quando as próprias famílias não dão conta do trabalho, a ajuda vem dos vizinhos – lhe confere uma vantagem considerável sobre os grandes projetos de fruticultura irrigada da região, explica o coordenador regional de produção do MST, Edinaldo Ramalho Leite, o Neguinho. “Tem duas coisas que temos que levar em conta: o pequeno produtor tem que diversificar as culturas para garantir uma renda estável. E não pode exagerar na área de uva. Independente da variação do preço da produção, o pequeno se segura. Já os grandes estão quebrando”, afirma Neguinho.
Por outro lado, a organicidade dos assentamentos também confere aos assentados uma vantagem sobre a agricultura familiar convencional na região. De acordo com Nildo Martins, coordenador estadual do setor de produção do MST, não há estatísticas comparativas sobre a renda de uma família assentada e de uma não assentada, mas a diferença é considerável, tendo em vista o custo de produção, as dificuldades no acesso ao créditos, a descontinuidade tanto da liberação dos recursos (quando se consegue liberar) quanto no acompanhamento técnico, e a falta de equipamentos para irrigação. Assim, o que para uma família individual são problemas de difícil solução, nos assentamentos muitas vezes é encaminhado em negociações coletivas, fortalecidas pela intervenção do MST.
Nesse sentido, avalia Nildo, apesar da inexistência de dados organizados sobre a média dos vencimentos de uma família assentada, é possível afirmar que as condições de vida são superiores às da média regional. “A criação de pequenos animais e a produção de hortaliças, grãos e frutíferas tanto nas áreas de produção quanto no entorno das casas, garantem parte dos alimentos que vão diretamente à mesa do assentado. Com a comercialização da produção excedentes das parcelas, em boa parte dos assentamentos calcula-se – a partir de relatos dos assentados – uma renda de aproximados de 1,5 a 2,0 salários mínimos/mês”.

No final da década de 1990, o economista e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte Jorge Luiz Mariano da Silva, estudando os modelos de irrigação adotados por pequenos produtores na região do Vale do São Francisco, descreveu o sistema como tendo promovido “uma nova dinâmica na região semiárida, principalmente no que se refere à inserção de famílias de baixa renda na produção de frutas. Os projetos de irrigação permitiram a transformação da agricultura familiar tradicionalvoltada para a produção de subsistência em uma agricultura diversificada e dinâmica, direcionada para a produção comercial”.
De fato, desde 1995, quando promoveu a primeira ocupação de uma área falida no chamado perímetro da uva e fruticultura (região entre os municípios de Lagoa Grande e Santa Maria da Boa Vista), o MST tem buscado interferir na estrutura socioeconômica da região priorizando: a) o aumento da população produtiva e b) a universalização da infraestrutura de irrigação para os pequenos agricultores.
No tocante ao primeiro ponto, o movimento foi exitoso: promoveu o assentamento de cerca de 2,8 mil famílias em 32 áreas ao longo do São Francisco. Já quanto à instalação, consolidação ou expansão da infraestrutura de irrigação nos assentamentos, o principal problema é a lentidão e a burocracia dos órgãos federais (Incra e Codevasf), afirma o MST. Diante disto, o movimento passou a investir pesadamente em negociações com o governo estadual de Eduardo Campos (PSB).
Em reunião realizada no início de novembro entre representantes dos 18 assentamentos da BR-428 (que liga Lagoa Grande e Santa Maria da Boa Vista), dirigentes do MST e da Secretaria de Agricultura do Estado no assentamento Vitória – que, com 16 anos e 260 famílias, ainda não tem abastecimento de água para consumo humano –, os agricultores pontuaram os principais entraves ao desenvolvimento de boa parte dos assentamentos da região.
No caso do Vitória, que ocupou a área de um projeto (falido) de 260 hectares de acerola, coco, manga e goiaba, a antiga estrutura de irrigação por pivô central era tão dispendiosa em energia que os mesmos custos que causaram a falência da fazenda mergulharam os assentados em uma dívida que levou ao corte da eletricidade por anos e só foi quitada em 2012. Agora, o assentamento quer celeridade na revitalização dos 2 km da adutora já existente e um novo modelo de irrigação, mais econômico e viável. “Temos um projeto com a Codevasf, mas faz dois anos que estamos esperando a implementação. Temos 300 hectares de terra pronta, limpa e preparada para o plantio, e só estamos esperando a água chegar”, explica uma das lideranças do assentamento.
Acostumado a se mover com desenvoltura no tabuleiro político-partidário nacional, o MST é estratégico ao privilegiar o governo de Eduardo Campos, presidente do PSB – cujos bons resultados nas últimas eleições municipais fortaleceram o partido e suas chances no pleito de 2014 – como principal interlocutor em Pernambuco. Na reunião de novembro, o dirigente nacional do movimento Jaime Amorim foi direto ao ponto: assentamentos e assentados são um enorme potencial do ponto de vista político – nas eleições municipais houve apoio do MST a vários candidatos do PSB na região –, mas é preciso investimento na melhoria da capacidade produtiva e da qualidade de vida dos agricultores. A resposta às demandas não foi menos direta: vamos fazer; e o que extrapolar as possibilidades orçamentárias do Estado será cobrado politicamente da Codevasf.
Política à parte, para entender melhor o projeto socioeconômico do MST, pode-se tomar como exemplo o caso do assentamento Safra. Atualmente com 220 famílias, o Safra foi fruto da primeira ocupação do movimento no sudeste pernambucano em 1995, que reuniu cerca de 2,5 mil pessoas. Enquanto as famílias excedentes, que não puderam permanecer na área, foram conquistando novas terras (na sequencia do Safra, surgiram nove novos assentamentos do MST na região), as que permaneceram receberam cada uma 10 hectares. Destes, apenas 1,1 hectare por família é irrigado.
Diferente de São José do Vale, onde grande parte dos assentados já trabalhava em projetos de produção de uva (o que acabou consolidando a cultura como principal atividade do assentamento), o Safra é formado majoritariamente por ex-meeiros, explica o assentado José Felizberto.
 Nascido em Pena Forte, no Ceará, seu José é uma das lideranças mais antigas do Safra. Como tantos outros, ele fugiu da grande seca que se abateu sobre a terra natal entre 1975 e 1977, e em Pernambuco foi tocando a vida como pequeno arrendatário em fazendas alheias. “Um dia apareceu pras nossas bandas o Levi [um dos primeiros dirigentes do MST no Estado], falando de coisas como conquistar um pedaço de terra e vida digna. Gostei. Marcamos o dia da ocupação, mas quando chegamos na fazenda a polícia já estava esperando na cancela. Aí o Levi cortou a cerca e fomos todos pra beira do rio”, conta o assentado. Para evitar o despejo, os sem-terra permaneceram acampados às margens do São Francisco – área de Marinha pertencente à União e, portanto, imune ao pedido de reintegração de posse por parte do fazendeiro – por um ano, até a desapropriação e destinação para fins de reforma agrária das terras.
Anfitrião zeloso (e orgulhoso), seu José oferece uma visita guiada à parte irrigada do assentamento, cerca de 300 hectares com cultivo predominante de goiaba, manga, mamão, melancia e culturas de subsistência, como feijão, milho e macaxeira.
O Safra é verdadeiramente bonito. Deixando-se a agrovila com suas ruas arborizadas, casas bem cuidadas e quintais floridos, passa-se imediatamente às áreas de roça. Aqui, a lógica do sertão-miséria foi revirada do avesso. Contrariando as estatísticas que apontam perda total da produção de grãos no Estado por conta da estiagem, os milharais crescem vigorosos. Ladeada de coqueiros carregados, a roça de macaxeira consorciada com mangueiras recém plantadas irradia verdes de todas as tonalidades. Até mesmo os pequenos trechos de vegetação nativa são suáveis e gentis, oferecendo sombra em lugar da dureza ressequida que caracteriza a Caatinga nesta época do ano. E é em um desses “bosques” que seu José surpreende um grupo festivo em almoço familiar (porque era sábado), e apresenta Gilmar Lucas da Silva, dono do lote.
Conhecido entre os amigos como Amado Batista, Gilmar é considerado um conversador de primeira. Baiano de Belém de São Francisco, perdeu a mãe cedo e, aos 16 anos, assumiu a criação de seis irmãos. Foi trabalhar de meeiro em Itaparica, mas a construção de uma hidrelétrica inundou a fazenda do patrão e acabou com seu ganha-pão. Assim como muitos outros, não recebeu indenização alguma e seguiu na vida sem quase nada além de uma capacidade monumental de trabalhar.
Aos 23 anos, Gilmar se casou. Ainda cuidava de dois irmãos, mas logo vieram seus próprios filhos, cinco no total. “Quando surgiu a oportunidade de conseguir uma terrinha no assentamento, pensei: passar necessidade no que é seu é melhor do que bucho cheio na terra dos outros. E vim”.
Caminhando pelas plantações de goiaba e mamão irrigados, sua principal fonte de renda, o baiano conta das desventuras e venturas que lhe aconteceram depois que fincou pé no Safra. Pegar o jeito do cultivo irrigado deu um pouco de trabalho e muitas despesas – foram R$ 6,5 mil de gastos só com canos, e no início a conta da energia chegava a R$ 240/mês (hoje é de R$ 70) -, mas a vida mudou muito. “Hoje tenho casa com água e luz, antes era barraco de taipa e candeeiro”, ri. Mas a maior felicidade, confidencia, é ter dois filhos formados como técnicos agrícolas e um, o mais velho, estudante de medicina em Cuba.
“Filho médico é merecimento que a gente tem”, explica. Mas tem que cuidar: “Comprei um computador pra ele e todo mês tento mandar um dinheirinho, porque sabe como é: médico tem que estudar demais, o menino mora em um alojamento coletivo, mas precisa comprar suas coisinhas. Então não tem jeito, às vezes fico devendo na loja. Mas nunca por muito tempo”.
Pelos cálculos do presidente da associação dos assentados do Safra, Samuel Ferreira Barbalho, a renda média das famílias gira em torno de R$ 800/mês. “Aqui ninguém precisa de cesta básica, e apenas seis famílias ainda dependem de ajuda do governo para sobreviver. É verdade que 60% recebem bolsa-família, mas é apenas para ajudar na permanência das crianças na escola”, explica. Prioridade máxima, o projeto de educação no Safra inclui uma escola para todas as crianças até a 8ª série, além de duas turmas do projeto Saberes da Terra (espécie de supletivo de 5ª a 8ª séries, com ensino voltado à realidade dos agricultores familiares) para jovens entre 18 e 25 anos.Além disso, todos os educadores do assentamento estão cursando pós-graduação em educação no campo.
A maior preocupação do Safra, no entanto,  é estender a estrutura de irrigação para os 1.100 hectares restantes do assentamento, cultivados parcialmente apenas na época das chuvas. Uma adutora para levar água a 400 hectares já existe há cerca de cinco anos, mas nunca chegou a funcionar, e agora está avariada. Aproveitando a reunião com o secretario de Agricultura do Estado naquele mesmo dia, Samuel apresentou a demanda por verbas para ativação da adutora, mas ponderou que, simultaneamente, existe a necessidade de instalação de um sistema de drenagem, devido à ameaça de salinização das áreas irrigadas (ver box). Arrancou do governo a promessa de uma visita à área na semana seguinte.
Ver o verde “tomar de conta” também a área de sequeiro do Safra é o sonho de muita gente. João Leite, outro veterano do assentamento, lembra com saudade dos primórdios, mas se diz preparado para as pelejas do presente. “A nossa foi a melhor luta do Vale do São Francisco. O Safra foi onde tudo começou, tem o melhor solo de todos. Mas agora queremos mais, temos mais de mil hectares pra irrigar, e vamos à luta”. Já Samuel sonha alto. “Quando começar a funcionar este novo sistema de irrigação, calculamos que a renda mensal familiar saltará para cerca de R$ 2 mil. E mais: com apenas 400 hectares irrigados adicionais, podemos gerar cerca de mil empregos. Na época da colheita, esta demanda dobra. Aqui vai ter trabalho e renda suficiente para todos”.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

LEIA ESSA HISTÓRIA CRUEL E NUNCA MAIS VOCÊ VAI QUERER DITADURA NOVAMENTE

A ditadura militar, embora tenha “terminado” há quase 30 anos, vitimou mais uma pessoa na madrugada deste sábado para domingo. Trata-se de Carlos Alexandre Azevedo, que completaria 40 anos em 2013. Carlos cometeu suicídio com uma overdose de medicamentos.
Carlos Alexandre foi usado pelos agentes da repressão para pressionar os pais que estavam presos. Assim descreveu o seu pai, *Dermi Azevedo, em seu mural no Facebook neste domingo acerca do que se passou com seu filho: “Com apenas um ano e oito meses de vida, ele foi preso e torturado, em 14 de janeiro de 1974, no DEOPS paulista, pela “equipe” do delegado Sérgio Fleury, onde se encontrava preso com sua mãe. Na mesma data, eu já estava preso no mesmo local. Cacá, como carinhosamente o chamávamos, foi levado depois a São Bernardo do Campo, onde, em plena madrugada, os policiais derrubaram a porta e o jogaram no chão, tendo machucado a cabeça. Nunca mais se recuperou. (…) O suicídio é o limite de sua angústia”.
O bebê Carlos Alexandre, enquanto esteve no DEOPS, foi “vítima de choques elétricos e outras sevícias. Ele foi jogado no chão e bateu a cabeça”, afirma Dermi. “Maltratar um bebê é o suprassumo da crueldade.”
Dermi e sua companheira na época, Darcy Andozia, foram presos acusados de tentar difamar o Estado brasileiro por conta de um livro intitulado Educação Moral e Cívica & Escalada Fascista no Brasil achado no apartamento onde moravam em São Paulo. Dermi permaneceu preso por 4 meses recebendo torturas físicas como choques elétricos e pau de arara, Darcy, foi torturada psicologicamente vendo seu filho ser torturado na sua frente como forma de pressioná-la nos interrogatórios.
Dermi, Carlos Alexandre e Darcy AndoziaCarlos Alexandre sofria de um transtorno chamado de fobia social, consequência direta das torturas que sofreu. Transtorno que o fazia ser uma pessoa bastante retraída. “Para mim a ditadura não acabou. Até hoje sofro os seus efeitos. Tomo antidepressivo e antipsicótico”, relatou Carlos em entrevista a Istoé Independente em 2010.
O anúncio de sua morte pelo seu pai através do mural no Facebook causou bastante comoção aos amigos da família e a pessoas ligadas aos Direitos Humanos em todo o país. “Meu coração sangra de dor” diz Dermi no início do texto.
Hildegard Angel, irmã de Stuart Angel, assassinado sob torturas pela ditadura, assim expressou em seu site como recebeu a notícia: “Não o conhecia, mas para mim a notícia deste suicídio é como uma facada no peito”. (…) “Agora, acabo de ser surpreendida por essa terrível notícia: o suicídio de um jovem que, quando bebê foi torturado pela mesma classe de algozes que assassinou meu irmão, minha cunhada, minha mãe e até hoje mortifica minhas lembranças”.
Emerson Lira
*Dermi Azevedo é jornalista e ex-preso político. Foi um dos fundadores do Movimento Nacional de Direitos Humanos. Dermi é portador da Síndrome de Parkison, que provavelmente adquiriu por conta das fortes pancadas recebidas na cabeça enquanto esteve preso na década de 70. É dele o livro “Travessias torturadas – Direitos Humanos e ditadura no Brasil” lançado no último dia 6 em Belém.

ELE TINHA UM ANO E OITO MESES QUANDO FOI TORTURADO PELA DIRADURA

Carlos Alexandre Azevedo pôs fim a sua vida no sábado (16), aos 40 anos. Ele foi a vítima mais jovem a ser submetida à violência por parte dos agentes da ditadura militar. Tinha apenas um ano e oito meses quando foi arrancado de sua casa e torturado na sede do Dops paulista

O técnico de computadores Carlos Alexandre Azevedo morreu no sábado (16/2), após ingerir uma quantidade excessiva de medicamentos. Ele sofria de depressão e apresentava quadro crônico de fobia social. Era filho do jornalista e doutor em Ciências Políticas Dermi Azevedo, que foi, entre outras atividades, repórter da Folha de S. Paulo.
Ao 40 anos, Carlos Azevedo pôs fim a uma vida atormentada, dois meses após seu pai ter publicado um livro de memórias no qual relata sua participação na resistência contra a ditadura militar. ‘Travessias torturadas’ é o título do livro, e bem poderia ser também o título de um desses obituários em estilo literário que a Folha de S.Paulo costuma publicar.
carlos alexandre azevedo torturado
Carlos Alexandre Azevedo foi torturado quando era bebê (Foto: Júlia Moraes / Istoé , 2010)
Carlos Alexandre Azevedo foi provavelmente a vítima mais jovem a ser submetida a violência por parte dos agentes da ditadura. Ele tinha apenas um ano e oito meses quando foi arrancado de sua casa e torturado na sede do Dops paulista. Foi submetido a choques elétricos e outros sofrimentos. Seus pais, Dermi e a pedagoga Darcy Andozia Azevedo, eram acusados de dar guarida a militantes de esquerda, principalmente aos integrantes da ala progressista da igreja católica.
Dermi já estava preso na madrugada do dia 14 de janeiro de 1974, quando a equipe do delegado Sérgio Paranhos Fleury chegou à casa onde Darcy estava abrigada, em São Bernardo do Campo, levando o bebê, que havia sido retirado da residência da família. Ela havia saído em busca de ajuda para libertar o marido. Os policiais derrubaram a porta e um deles, irritado com o choro do menino, que ainda não havia sido alimentado, atirou-o ao chão, provocando ferimentos em sua cabeça.
Com a prisão de Darcy, também o bebê foi levado ao Dops, onde chegou a ser torturado com pancadas e choques elétricos.
Depois de ganhar a liberdade, a família mudou várias vezes de cidade, em busca de um recomeço. Dermi e Darcy conseguiram retomar a vida e tiveram outros três filhos, mas Carlos Alexandre nunca se recuperou. Aos 37 anos, teve reconhecida sua condição de vítima da ditadura e recebeu uma indenização, mas nunca pôde trabalhar regularmente.
Aprendeu a lidar com computadores, mas vivia atormentado pelo trauma. Ainda menino, segundo relato da família, sofria alucinações nas quais ouvia o som dos trens que trafegavam na linha ferroviária atrás da sede do Dops.

Para não esquecer

O jornalista Dermi Azevedo poderia ser lembrado pelas redações dos jornais no meio das especulações sobre a renúncia do papa Bento 16. Ele é especialista em Relações Internacionais, autor de um estudo sobre a política externa do Vaticano, e doutor em Ciência Política com uma tese sobre igreja e democracia.

NA DITADURA MILITAR ATÉ UM BEBÊ DE TRÊS MESES FOI VÍTIMA DESSE SISTEMA

A Comissão da Verdade do Estado de São Paulo traçou o perfil dos mortos e desaparecidos políticos no Brasil no período de 1964 a 1985. Após uma análise extensiva dos dados, chegou à conclusão de que a maioria das vítimas do regime era composta por trabalhadores e jovens.
Das 437 pessoas que constam no dossiê feito pela Comissão de Familiares dos Mortos e Desaparecidos Políticos (258 mortos e 179 desaparecidos), 248 (o que corresponde a 56% do total) eram trabalhadores, 125 estudantes e 35 militares.
Entre os trabalhadores, a maioria era formada por operários (55), mas da lista também constam camponeses (40), professores (23), bancários (17), jornalistas (12), advogados (9), engenheiros (6) e religiosos (3).
O perfil também mostra que a maioria das vítimas da ditadura militar (232) era formada por jovens entre 0 e 30 anos. Há um bebê de três meses na relação.

A CORRUPÇÃO FOI UM FATO QUE NEM A TORTURA CONSEGUIU ESCONDER

por JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

 A imprensa, escrita e falada, afirma que a corrupção atual é a maior da História do Brasil. Com essa crítica, uma pequena parte de brasileiros, decepcionada, deseja a Ditadura Militar com a finalidade de combater os corruptos. No entanto, a corrupção no tempo da Ditadura Militar era infinitamente superior, como irei mostrar.
O jornalista e escritor J. Carlos de Assis escreveu três livros, no final da Ditadura Militar, em 1984, mostrando os escândalos desse período. Um deles, o mais famoso, “A Chave do Tesouro, anatomia dos escândalos financeiros no Brasil: 1974/83”, revela essa corrupção. Alguns capítulos: Caso Halles, Caso BUC, Caso Econômico, Caso Eletrobrás, Caso UEB/Rio-Sul, Caso Lume, Caso Ipiranga, Caso Aurea, Caso Lutfalla (família de Paulo Maluf, marido de Sylvia Lutfalla), Caso Abdalla, Caso Atalla, Caso Delfin, Caso TAA. Cada “Caso” é um capítulo. Por este motivo, é impossível detalhar esses escândalos financeiros, que trouxeram prejuízos inimagináveis à Economia daquela época!

Em outro livro, “A dupla face da Corrupção”, também em 1984, J. Carlos de Assis revela: “A censura (sic) da era Médici manteve o submundo da economia tão longe da curiosidade pública como as masmorras sombrias da repressão política. (,,,) Esta era uma atmosfera particularmente favorável ao apaniguamento (sic) e à proteção econômica e administrativa dos amigos do regime (…) Foi à sombra desse período obscurantista que a maioria dos arrivistas e aventureiros do mercado, esgueirando-se por essas omissões originais da lei ou pelos espaços abertos por sua deformação propositada (sic), penetrou no sistema financeiro e nele engordou seus conglomerados fraudulentos (sic), para explodir posteriormente em escândalos”, acrescentando: “Vários grupos de aventureiros e de gangsters de gravata (sic) foram postos na engorda junto aos cofres públicos (sic), com total contemporização e cumplicidade da autoridade administrativa”.
Adiante o escritor comenta o escândalo da Corretora Laureano, em 1976, fazendo essa estarrecedora denúncia: “Seu dono, contudo, precavidamente, havia lastreado suas ousadas operações num ativo intangível de valor incalculável nas circunstâncias: a amizade com o Ministro-chefe da Casa Civil, o condestável do governo Geisel, General Golbery do Couto e Silva. A relação estava selada, além disso, por um contrato de trabalho do filho de Golbery como diretor da Corretora (sic). E o General não tinha maiores constrangimentos éticos (sic) em encaminhar seu amigo às boas graças de algum colega de Ministério, em especial o que detinha as chaves dos cofres públicos, o Ministro da Fazenda Mário Henrique Simonsen”. Na página 85, outra denúncia grave: a compra pela Coroa-Brastel (uma empresa que também fazia parte do escândalo financeiro) da Metalúrgica Castor: “A Metalúrgica era propriedade do banqueiro de bicho Castor de Andrade, em sociedade com Osório Pais Lopes da Costa, sogro do Johnny Figueiredo, filho mais velho do Presidente da República (na época em que o livro foi publicado, 1984, o General João Figueiredo era o Presidente).

No ambíguo depoimento, Paim [dono da Coroa-Brastel] relata que foi contatado por Álvaro Leal em outubro de 1982. O consultor lhe teria dito que a Metalúrgica estava para quebrar e lhe sugeria comprar a empresa. “atendendo a um pedido do Chefe” (sic) – o próprio Presidente, no caso. Ele receberia por isso as “compensações devidas” , através do Banco do Brasil (sic)”. Era uma empresa suspeita comprando outra falida “atendendo o pedido do Chefe”! O escritor foi corajoso ao fazer essa denúncia contra o General-Presidente em plena Ditadura Militar, mesmo que nesse ano, 1984, o regime estava mais brando!
Existem outras denúncias de corrupção no período ditatorial, mas ficam para outro artigo.

FORAGIDO É PRESO EM SÃO MIGUEL


Eram dez horas da manha de um belo domingo (19/01/14), quando a viatura de área composta pelos Policiais Militares CB Enivon e Sd Ferreira realizava um Patrulhamento pela Rua São Cristovão - Setor Santa Lúcia, momento que visualizaram na calçada da rua, um individuo que ao perceber a presença da viatura, quis se esconder atrás de uma arvore, percebendo os dois valorosos PMs com o tirocino ativado, resolveram abordar aquele homem, ato continuo com o apoio do Coponista (CB J. Ribeiro) foi feito uma pesquisa no sistema do Portal Integrado da DGPC e constatou-se que o abordado Claudivon Cordeiro dos Santos, 36 anos, se encontrava foragido da justiça e com mandado de prisão em aberto. Claudivon foi denunciado no final do mês de março de 2011 por cometimento ao crime previsto no ART. 217-A: CPB - ESTUPRO DE VULNERÁVEL. Naquela época o foragido adentrou a uma residência de uma senhora de 74 anos de idade e com saúde debilitada e aproveitando da fragilidade da mesma cometeu o crime contra aquela senhora, foi preso e condenado a oito anos de reclusão, com uma parte da pena cumprida logrou o direito de progredir sua pena para o sistema semiaberto, no entanto saiu e não voltava mais. Devido à eficiência da equipe de serviço da PMGO, o autor voltou para a unidade prisional, onde provavelmente desta feita deve regredir para a pena no sistema FECHADO.

Esta é a quarta prisão efetuada na cidade de São Miguel, em um período de 12 dias.


Parabéns CB J. Ribeiro (Coponista) e Equipe de área CB Enivon e Sd Ferreira. Com ações como essas que a sociedade se sente segura no dia a dia.

LÍDERES DA IGREJA EMITEM CARTA ABERTA E CONVOCA POVO PARA CAMINHA NO MARANHÃO

Em uma "carta aberta ao povo de Deus", 13 bispos convocam para uma "caminhada silenciosa" no dia 2 de fevereiro e fazem críticas ao estado do Maranhão, que vive atualmente uma crise de violência e no sistema carcerário. O texto reconhece que o estado governado por Roseana Sarney (PMDB) aumentou sua riqueza, mas faz menção à sua marcante desigualdade social.

"Vivemos num Estado que erradicou a febre aftosa do gado, mas que não é capaz de eliminar doenças tão antigas como a hanseníase, a tuberculose e a leishmaniose", diz trecho da carta. "É verdade que a riqueza no Maranhão aumentou. Está, porém, acumulada em mãos de poucos, crescendo a desigualdade social. Os índices de desenvolvimento humano permanecem entre os mais baixos do Brasil", continua.

Os líderes da Igreja Católica afirmam que "a cultura de paz", que "tanto almejamos", "é também tarefa nossa", e que a caminhada do dia 2 é um "gesto concreto" nesse sentido – "como expressão do nosso compromisso com a justiça e a paz". Os bispos falam ainda da necessidade de "assumirmos nossa responsabilidade social" a fim de se construir uma sociedade de irmãs e irmãos que convivam na igualdade, na fraternidade e na paz".

Leia a íntegra da carta abaixo:

EM CARTA ABERTA AO POVO DE DEUS, OS BISPOS DO MARANHÃO CONVOCAM PARA O DIA 2 DE FEVEREIRO CAMINHADA SILENCIOSA EM DEFESA DA VIDA. VEJA A CARTA DOS BISPOS SOBRE A SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA NO ESTADO:

Ao Povo de Deus e a todas as pessoas de boa vontade

"Justiça e paz se abraçarão" (Sl 85,11)"

Ainda estão vivas em nós a forte emoção e dor, provocadas pelos últimos acontecimentos no Estado do Maranhão – a morte violenta da Ana Clara, criança de seis anos que faleceu após ter seu corpo queimado nos ataques a ônibus; os cruéis assassinatos no Complexo Penitenciário de Pedrinhas; o clima de terror e medo vivido na cidade de São Luís.

A nossa sociedade está se tornando cada vez mais violenta. É nosso parecer que essa violência é resultado de um modelo econômico-social que está sendo construído.

A agressão está presente na expulsão do homem do campo; na concentração das terras nas mãos de poucos; nos despejos em bairros pobres e periferias de nossas cidades; nos altos índices de trabalhadores que vivem em situações de exploração extrema, no trabalho escravo; no extermínio dos jovens; na auto-destruição pelas drogas; na prostituição e exploração sexual; no desrespeito aos territórios de indígenas e quilombolas; no uso predatório da natureza.

Esta cultura da violência, aliada à morosidade da Justiça e à ausência de políticas públicas, resulta em cárceres cheios de jovens, em sua maioria negros e pobres. O nosso sistema prisional não reeduca estes jovens. Ao contrário, a penitenciária transformou-se em uma universidade do crime. Não nos devolve cidadãos recuperados, mas pessoas na sua maioria ainda mais frustradas que veem na vida do crime a única saída para o seu futuro.

Vivemos num Estado que erradicou a febre aftosa do gado, mas que não é capaz de eliminar doenças tão antigas como a hanseníase, a tuberculose e a leishmaniose.

É verdade que a riqueza no Maranhão aumentou. Está, porém, acumulada em mãos de poucos, crescendo a desigualdade social. Os índices de desenvolvimento humano permanecem entre os mais baixos do Brasil.

Não é este o Estado que Deus quer. Não é este o Estado que nós queremos! Como discípulos missionários de Jesus, estamos comprometidos, junto a todas as pessoas de boa vontade, na construção de uma sociedade fraterna e solidária, sem desigualdades, sem exclusão e sem violência, onde a "justiça e a paz se abraçarão" (Sl 85,11).

A cultura do amor e paz, que tanto almejamos, é um dom de Deus, mas é também tarefa nossa. Nós, bispos do Maranhão, convocamos aos fieis católicos e a todas as pessoas que buscam um mundo melhor a realizarem um gesto concreto no próximo dia 2 de fevereiro, como expressão do nosso compromisso com a justiça e a paz. Neste dia – Festa da Apresentação do Senhor, Luz do mundo, e de

Nossa Senhora das Candeias –, pedimos que se realize em todas as comunidades uma caminhada silenciosa à luz de velas, por ocasião da celebração. Às pessoas comprometidas com esta causa e às que não puderem participar da celebração sugerimos que acendam uma vela em frente à sua residência, como sinal do seu empenho em favor da paz.

Invocando a proteção de Nossa Senhora, Rainha da Paz, rogamos que o Espírito nos oriente no sentido de assumirmos nossa responsabilidade social e política para construirmos uma sociedade de irmãs e irmãos que convivam na igualdade, na fraternidade e na paz.
Centro de Formação de Mangabeiras-Pinheiro - MA, 15 de janeiro de 2014

Dom Armando Martin Gutierrez 

Dom Carlo Ellena 

Dom Élio Rama 

Dom Enemésio Lazzaris 

Dom Franco Cuter 

Dom Gilberto Pastana de Oliveira 

Dom José Belisário da Silva 

Dom José Soares Filho 

Dom José Valdeci Santos Mendes 

Dom Sebastião Bandeira Coêlho 

Dom Sebastião Lima Duarte 

Dom Vilsom Basso 

Dom Xavier Gilles